É possível fortalecer simultâneamente a economia de mercado e o estado?
Guilherme Afif Domingos – Presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo – FACESP em entrevista defende algo que parece METAÚTOPICO: o simultâneo fortalecimento do estado e da economia de mercado. Cada um na sua área de competência.
Abaixo trechos da entrevista que foram selecionados por mim.
Afif faz a defesa de um real "regime de mercado"
Diário do Comércio em 16 de maio de 2006
http://www.dcomercio.com.br/
O grande desafio é colocar as teses liberais num mundo em que o liberalismo nunca foi implantado. Aqui, aqueles que deveriam defender os conceitos liberais, principalmente os grande empresários, em vez de defenderem o regime de mercado, preferem defender o regime de reserva de mercado. Querem a proteção do Estado, não a sua liberação. Querem subsídio por meio dos imensos bancos públicos. Portanto, para começar, aqueles que poderiam defender a tese liberal não a praticam.
No Brasil, abolimos a monarquia, mas não abolimos a corte.
O grande desafio é exatamente implantar a liberdade de empreender, a desburocratização, a simplificação, a regularização das propriedades, diminuindo seu custo. Este seria o grande papel do Estado.
O liberalismo não prega um Estado fraco, prega um Estado forte. O que não significa um Estado obeso, paquiderme. É um Estado que cumpre sua função de regulador da sociedade. Sua primeira função é a igualdade de oportunidades, dar condições de educação e saúde. Também é importante garantir os direitos, ou seja, justiça e segurança. Deve prover a infra-estrutura básica na promoção do desenvolvimento e – este é o papel primordial do Estado – a estabilidade da moeda. O Estado tem que ser o guardião dessa estabilidade, que é o que dá tranqüilidade para a tomada de decisão de investimentos de longo prazo. Esses são os princípios básicos da condição liberal.
Acho que o liberalismo puro dificilmente vai ser implantado, mas pode ser um grande contrapeso à social-democracia, jogando para o centro um projeto de nação que assuma o aspecto do discurso da social-democracia, mas que pegue as qualidades da liberal-democracia em termos de geração e distribuição de renda por meio do trabalho e de um real regime de mercado. É um projeto que pode ser atingido.
Marx dizia que a burguesia iria vender a corda com a qual seria enforcada, porque não olha outra coisa senão o lucro da venda da corda. E o que assistimos aqui no Brasil é o empresariado olhando só o interesse de curto prazo, o seu resultado. Mas é preciso olhar o modelo no longo prazo, como preservação do ambiente de livre competição, que é a essência do pensamento liberal.
Marx também se enganou. Ele previa o fim das pequenas empresas, a grande concentração dos capitais, e foi desmentido pela grande explosão das atividades individuais que, por falta de amparo nas leis, estão se colocando na informalidade. A cada dia, mais indivíduos pensam na liberdade de trabalhar por conta própria. Se conseguem, isso é outra coisa, mas que pensam e sonham, não há dúvida. Portanto, vamos viver este sonho. O liberal tem utopias também. Só que são utopias realizáveis e com o pé no chão.

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