A hora é de união
Repercurtindo o blog de Jorge Bastos Moreno - 1/11/2006 - 4:14
" Cuidem de suas redações, que do PT cuidamos nós"
( Marco Aurélio Garcia, presidente interino do PT)
Gente, o cara surtou! E surtou de vez. Desconhece totalmente a função social do jornalismo. Para quem confunde o público com o privado até que é uma frase coerente. Realmente, a mídia trata do interesse público.
Se seguíssimos essa lógica poderíamos responder: Se os senhores cuidassem do PT como a mídia cuida de suas redações, o vosso partido seguramente não seria esse que está aí.
Quando digo que Marco Aurélio Garcia surtou é porque seu conceito nunca foi o de um homem medíocre. Muito pelo contrário. Quando ele voltar a si, acredito que vai querer enfiar a cara no chão de vergonha pelo que vem falando em relação à mídia.
Por enquanto, ele só está falando e não agindo. Dele não devemos ter medo, já que o seu conceito intelectual, moral e sua própria trajetória, bem diferente da de muitos petistas, nos levam a supor que, mesmo tentado, Marco Aurélio Garcia não se associaria aos desvios temidos.
Mas tem gente agindo. E como!
Veja a Veja. Seus profissionais foram interrogados pela PF para que revelassem suas fontes e investigações, numa flagrante inversão do inquérito.
Devemos no entanto ficar atentos. A ameaça é real. Desunidos, como estamos, continuaremos fracos e expostos à sanha da truculência. Nós, repórteres, acabamos nos sucumbindo ao patrulhamento "petista" versus "tucanos" e nos tatuamos. Entramos nesse jogo imbecil. A categoria, por vocação, nunca foi unida. A concorrência, a disputa e a inveja são os vermes da profissão. Falamos mal um dos outros com a desenvoltura com que trocamos de roupa. Somos o lado mais forte e paradoxalmente mais fracos de uma relação que, quando turva, não passa por nós. E mesmo assim nós nos achamos.
Só o fato de eu, um simples repórter, estar escrevendo isso já é uma prova da nossa arrogância, da nossa edição de regras.
Mas como já senti tudo isso na própria pele tenho um pouco de condição para conclamar meus colegas de todos os andares, inclusive os do andar de cima, a fazermos uma reflexão.
Ainda que sejamos diferentes, estamos no mesmo barco, o da busca honesta da informação. Não acredito que alguém, por mais que não goste do outro, assista calado a uma coisa dessa. Os que estão circunstancialmente na quinta-essência da profissão devem ser os primeiros a olhar e orar para nós. O jornalismo é a maior gangorra de todas as profissões liberais e o seu rodízio é cada vez mais célere. Fora as questões existenciais, espirituais: ninguém sabe o dia de amanhã a não ser que domingo é dia de jogo no Maracanã.

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